A História Não Contada: Quando a Cor da Pele Não Salvou Ninguém da Escravidão 

Prepare-se para uma viagem no tempo que vai chacoalhar suas certezas. Quando falamos em escravidão, a imagem que geralmente nos vem à mente é a de navios negreiros cruzando o Atlântico, plantações no Novo Mundo e o sofrimento indizível de milhões de africanos. E sim, essa é uma parte crucial e dolorosa da nossa história. Mas e se eu te dissesse que a escravidão não tem cor, nem fronteiras, e que, em certos períodos, até mesmo europeus foram submetidos a um regime de servidão tão brutal quanto o que conhecemos? Sim, você leu certo. E o caso dos irlandeses é um dos mais chocantes e, infelizmente, pouco discutidos.

Historicamente, a humanidade tem uma triste sina: a de escravizar o próximo. Desde os primórdios das civilizações, a guerra, a dívida ou simplesmente a dominação de um povo sobre outro resultaram na privação da liberdade de indivíduos. Em terras brasileiras, a mão de obra escrava indígena e, posteriormente, africana, marcou profundamente nossa formação. Mas hoje, vamos desenterrar uma faceta menos conhecida, mas igualmente cruel: a escravidão branca, começando pela saga dos irlandeses.

O Início de um Pesadelo: A Irlanda sob o Julgo Inglês

No século XVII, a Irlanda, vizinha da poderosa Inglaterra, tornou-se palco de uma das páginas mais sombrias da história. Reis ingleses como James VI e Charles I, e mais tarde o implacável Oliver Cromwell, não mediram esforços para esmagar qualquer tipo de revolta interna e, de quebra, desumanizar seus vizinhos irlandeses. O objetivo? Dominar, controlar e, claro, lucrar. E foi assim que a Irlanda se transformou em um verdadeiro reservatório de ‘gado humano’ para os comerciantes ingleses.

“Mas e se eu te dissesse que a escravidão não tem cor, nem fronteiras, e que, em certos períodos, até mesmo europeus foram submetidos a um regime de servidão tão brutal quanto o que conhecemos?”

Em 1625, James VI emitiu uma proclamação que selou o destino de milhares de irlandeses: prisioneiros políticos seriam vendidos e enviados como escravos para as colônias inglesas nas Índias Ocidentais e no Novo Mundo. Imagine a cena: 30 mil pessoas, arrancadas de suas casas, suas vidas, para serem transformadas em mercadoria. A Irlanda, em meados de 1600, se tornou a principal fornecedora desses ‘servos’. Ilhas como Antígua e Montserrat recebiam levas e mais levas, a ponto de, em Montserrat, cerca de 70% da população ser composta por escravos irlandeses. Sim, a maioria dos escravos nessa época era, de fato, branca.

O período entre 1640 e 1650 foi particularmente devastador. Mais de 500 mil irlandeses foram massacrados pelos ingleses, e outros 300 mil acabaram como escravos. Em apenas uma década, a população irlandesa despencou de 1.5 milhão para 600 mil – uma redução de quase dois terços! Famílias eram brutalmente separadas: homens vendidos para atravessar o Atlântico, enquanto mulheres e crianças eram deixadas para trás, muitas vezes sem teto. A ‘solução’ para esse problema? Leilão. Sim, a coroa britânica leiloava mulheres e crianças irlandesas como se fossem objetos.

E aqui entra Oliver Cromwell, que elevou a barbárie a outro nível. Na década de 1650, ele retirou mais de 100 mil crianças, entre 10 e 14 anos, para vendê-las nas Índias Ocidentais, Virgínia e Nova Inglaterra. Outras 84 mil foram vendidas para colonos em Barbados e na Jamaica. É chocante pensar que, em nossos dias, há quem tente desesperadamente ‘requalificar’ essa escravidão para ‘servidão contratada’. Mas, como veremos, a realidade era muito mais cruel.

Servidão Contratada ou Escravidão? A Linha Tênue que Não Existia

É comum que alguns historiadores e defensores de uma narrativa mais ‘suave’ tentem argumentar que os irlandeses não eram escravos, mas sim ‘servos contratados’ (indentured servants). A teoria é que muitos teriam concordado em trabalhar por um período determinado em troca de terras ou outros benefícios. No entanto, a prática, a realidade vivida por esses indivíduos, era de escravidão pura e simples. E a diferença é crucial.

Como aponta o trabalho acadêmico de Liam McKee, ‘Slaves To A Myth: Irish Indentured Servitude, African Slavery, and the Politics of White Nationalism’ (2021), e a discussão em ‘The Irish in the Anglo-Caribbean: servants or slaves?’ de L. Hogan, L. McAtackney e M.C. Reilly (2016), a distinção entre ‘servidão contratada’ e escravidão chattel (propriedade) é fundamental. Embora a servidão contratada pudesse, em teoria, oferecer um caminho para a liberdade, a experiência dos irlandeses muitas vezes se assemelhava muito mais à escravidão. Eles eram comprados e vendidos, acorrentados, abusados e, em muitos casos, morriam antes que seus ‘contratos’ terminassem. Não havia tribunal que os apoiasse se seus ‘donos’ não cumprissem as promessas. Dezenas de milhares de condenados, mendigos, crianças de rua e outros ‘indesejáveis’ ingleses, escoceses e irlandeses de classe baixa foram transportados para a América contra sua vontade, em navios negreiros – sim, os mesmos navios usados para o tráfico de africanos.

A lei da época, em certas regiões, chegava a considerar que ‘não era mais pecado matar um irlandês que um cão ou qualquer outra besta’. Isso revela o nível de desumanização a que foram submetidos. O tratamento dos escravos irlandeses era frequentemente pior do que o dos africanos, que, embora também brutalizados, representavam um investimento financeiro maior. Açoitamentos, espancamentos e mortes de irlandeses eram comuns e não considerados crimes, apenas ‘problemas monetários’.

Para maximizar os lucros, os escravagistas ingleses perceberam que poderiam ‘criar’ escravas irlandesas para procriação. Os filhos dessas mulheres seriam automaticamente escravos, aumentando a ‘força de trabalho’ e os ganhos. Mesmo que uma irlandesa conseguisse a rara liberdade, seus filhos permaneceriam escravos, garantindo que as mães jamais se separassem de suas proles, perpetuando a servidão. E a crueldade não parava por aí: para ‘duplicar a economia’, passaram a incentivar o acasalamento de mulheres e meninas irlandesas com homens africanos, gerando uma descendência ‘mulata’ que, por sua aparência diferente, era vista como uma nova fonte de lucro, diminuindo a necessidade de importação de africanos. Essa prática só foi proibida em 1681, após a revolta das empresas de tráfico de escravos africanos, que viram seus lucros diminuírem.

Essa tragédia se estendeu por quase um século, com dezenas de milhares de irlandeses sendo vendidos para as Américas e Austrália. Um dos episódios mais tétricos, mencionado no texto original, foi o caso de um capitão britânico que ordenou que 1.302 escravos fossem jogados no Atlântico para garantir sustento suficiente à tripulação. Um horror indizível que demonstra a completa desconsideração pela vida humana.

A Escravidão Não Tem Cor: Outros Exemplos na História

A história da escravidão irlandesa é um lembrete sombrio de que a barbárie da escravidão não se limita a uma única raça ou etnia. Ela é um fenômeno humano, presente em diversas culturas e períodos. Vamos explorar outros exemplos que comprovam essa triste universalidade:

Escravidão Branca Além da Irlanda

Não foram apenas os irlandeses que sofreram com a escravidão na Europa. A própria etimologia da palavra ‘escravo’ remonta aos ‘eslavos’, povos do leste europeu que foram massivamente escravizados por séculos, especialmente por muçulmanos na Espanha e por germânicos. Como destaca a ‘Aventuras na História’, o termo ‘eslavo’ se tornou sinônimo de ‘escravo’ devido à vasta quantidade de indivíduos dessa etnia que foram capturados e vendidos.

Outro exemplo marcante é a escravidão de europeus por piratas da Barbária, no Norte da África. Entre os séculos XVI e XIX, estima-se que mais de um milhão de europeus, incluindo ingleses, espanhóis, italianos e outros, foram capturados em ataques costeiros e navios, e vendidos em mercados de escravos no Norte da África e no Império Otomano. Esses ‘escravos brancos’ eram submetidos a trabalhos forçados, tortura e conversão religiosa, assim como outros escravizados. A ‘Folha’ e a ‘Aventuras na História’ detalham como esses europeus, muitos deles loiros e de olhos azuis, eram tratados como mercadoria, evidenciando que a cor da pele não era um salvo-conduto contra a escravidão.

Até mesmo os vikings, frequentemente romantizados, tinham a escravidão como pilar de sua sociedade. Conhecidos como ‘thralls’, os escravos constituíam uma parte significativa da população na Escandinávia, chegando a 25% na Noruega durante a Era Viking. Eles eram capturados em incursões, comprados ou nascidos na escravidão, e realizavam os trabalhos mais árduos, vivendo em condições brutais, como detalhado pela ‘National Geographic Brasil’ e ‘Livros Vikings’.

Escravidão Asiática: Uma História Ignorada

A Ásia também tem sua própria e complexa história de escravidão, muitas vezes ofuscada pela narrativa atlântica. No Japão, por exemplo, existiu um sistema oficial de escravidão desde o período Yamato até o final do período Sengoku. E, de forma surpreendente para muitos, os portugueses, que foram grandes traficantes de escravos africanos, também se envolveram na escravização de asiáticos. A BBC News Brasil e o G1 relatam como, a partir do século XVI, milhares de japoneses foram capturados e vendidos como escravos por comerciantes portugueses, sendo levados para Macau, Goa e até mesmo para Portugal. Crianças japonesas eram raptadas e vendidas, e há registros de escravos chineses e coreanos sendo comercializados nas redes asiáticas, como aponta um estudo da Redalyc. A escravidão na Ásia assumiu diversas formas, desde a servidão por dívida até a escravidão por captura em guerras, mostrando a diversidade e a brutalidade desse sistema em diferentes contextos culturais.

Escravidão Indígena: A Primeira Chaga nas Américas

No continente americano, antes mesmo da chegada massiva de africanos, a escravidão indígena foi uma realidade brutal. No Brasil, a Coroa Portuguesa tentou inicialmente explorar a mão de obra dos povos nativos. Embora houvesse resistência e dificuldades, a escravidão indígena persistiu por séculos, com os indígenas sendo capturados em ‘guerras justas’ ou ‘resgates’ (compra de prisioneiros de outras tribos). ‘Brasil Escola’ e ‘Mundo Educação’ detalham como essa prática foi generalizada, especialmente entre 1540 e 1570, e como a substituição pela mão de obra africana se deu por uma série de fatores, incluindo a alta mortalidade indígena e a lucratividade do tráfico transatlântico.

Na América Espanhola, embora a legislação tentasse proteger os indígenas da escravidão direta, sistemas como a ‘encomienda’ e a ‘mita’ impunham formas de trabalho compulsório que, na prática, se assemelhavam muito à escravidão. Os povos nativos eram forçados a trabalhar em minas e fazendas, sofrendo com doenças, maus-tratos e a perda de suas terras e culturas. A ‘Politize!’ e outros estudos mostram que, apesar das diferenças legais, a exploração e a desumanização eram uma constante para os indígenas em todo o continente.

Irish Slaves: youtube

A Conclusão Inevitável: A Escravidão é um Espelho da Humanidade

Ao mergulhar nessas histórias, fica claro que a escravidão não é um fenômeno restrito a uma raça de escravizadores ou escravizados. Ela é uma mancha na história da humanidade, um reflexo sombrio da capacidade humana de dominar, explorar e desumanizar o outro. Seja na Irlanda do século XVII, na Europa medieval, na Ásia antiga ou nas Américas coloniais, a lógica perversa da escravidão se repetiu, adaptando-se a diferentes contextos, mas mantendo sua essência cruel: a negação da liberdade e da dignidade humana.

Os ‘servos contratados’ irlandeses, os ‘thralls’ vikings, os escravos eslavos, os japoneses vendidos por portugueses, os indígenas forçados ao trabalho nas minas – todos eles são testemunhas de que a cor da pele, a origem geográfica ou a religião nunca foram barreiras para a escravidão. O que moveu e move esse sistema é a busca por poder, lucro e controle, disfarçada por ideologias de superioridade ou conveniência econômica.

Compreender essa universalidade da escravidão não diminui em nada o horror e a singularidade da escravidão africana, que foi um crime contra a humanidade de proporções gigantescas e com consequências que reverberam até hoje. Pelo contrário, ela amplia nossa compreensão sobre a complexidade e a perversidade desse fenômeno, mostrando que a vulnerabilidade à escravidão pode atingir qualquer grupo humano quando as condições sociais, políticas e econômicas se alinham para permitir tal barbárie.

Ao olharmos para trás, para essas páginas dolorosas da história, somos forçados a confrontar uma pergunta incômoda: será que a humanidade realmente aprendeu com seus erros, ou a semente da escravidão ainda reside em algum canto escuro da nossa natureza, esperando a próxima oportunidade para florescer? O que você pensa sobre isso? Deixe seu like e seu comentário!


Fontes:

Escravidão Irlandesa (vs. Servidão Contratada)

•Estadão Verifica: “Irlandeses na América trabalhavam em regime de servidão contratada, e não de escravidão.” (https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/irlandeses-na-america-trabalhavam-em-regime-de-servidao-contratada-e-nao-de-escravidao/?srsltid=AfmBOooFPKADC4vcTBWyoesbcQlhMoOvDUkrqHn4zA3V3acbu6PC_dBK) – Importante para abordar a contra-argumentação e refutá-la.

•Wikipédia: “Mito da escravidão de irlandeses” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Mito_da_escravid%C3%A3o_de_irlandeses) – Aborda a discussão sobre o termo e a pseudohistória.

•Reddit (AskHistory): “É verdade que escravos irlandeses eram tratados pior do que…” (https://www.reddit.com/r/AskHistory/comments/12ivp20/is_it_true_that_irish_slaves_were_treated_worse/?tl=pt-br) – Discussão sobre o tratamento e a natureza da servidão.

•PDF (Slaves To A Myth): “Slaves To A Myth: Irish Indentured Servitude, African Slavery, and…” (https://history.ucsd.edu/_files/undergraduate/honors-theses/Slaves-To-A-Myth.pdf) – Trabalho acadêmico crucial para a argumentação.

•PDF (The Curse of Cromwell): “The Curse of Cromwell: Revisiting the Irish Slavery Debate” (https://ecommons.luc.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1059&context=history_facpubs) – Artigo acadêmico sobre o debate da escravidão irlandesa.

•Jornal O Farol: “IRLANDESES: OS ESCRAVOS BRANCOS ESQUECIDOS” (https://www.jornalofarol.com.br/ver-noticia.asp?codigo=42553) – Artigo que defende a tese da escravidão irlandesa.

•Academia.edu (Da Servidão à Escravidão): “Da Servidão à Escravidão: A mão de obra na América colonial inglesa (Século XVII-XVIII)” (https://www.academia.edu/download/60987516/colonizacao_america_inglesa_-_Rodrigo___Rodrigo20191022-91581-1dh5jdm.pdf) – Contexto da mão de obra na América colonial.

•History Ireland (The Irish in the Anglo-Caribbean): “The Irish in the Anglo-Caribbean: servants or slaves?” (https://mymission.lamission.edu/userdata/dennisda/docs/The_Irish_in_the_Anglo-Caribbean_servant.pdf) – Artigo acadêmico que discute a questão da servidão vs. escravidão.

Escravidão Branca (outras etnias)

•Wikipédia: “Escravidão branca” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Escravid%C3%A3o_branca) – Visão geral da escravidão de europeus.

•Geledés: “Os escravos loiros de olhos azuis da Europa” (https://www.geledes.org.br/os-escravos-loiros-de-olhos-azuis-da-europa/) – Exemplos de escravidão de finlandeses e outros.

•Folha (Reuters): “África escravizou 1 milhão de brancos, diz historiador” (https://www1.folha.uol.com.br/folha/reuters/ult112u32556.shtml) – Escravidão de europeus por traficantes norte-africanos.

•Aventuras na História: “Escravos da Berbéria: o sequestro sombrio de europeus cristãos por piratas.” (https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/escravos-da-berberia-o-sequestro-sombrio-de-europeus-cristaos-por-piratas.phtml) – Detalhes sobre os escravos da Berbéria.

•Aventuras na História: “Eslavo: A insólita origem da palavra escravo” (https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/civilizacoes/historia-eslavo-origem-palavra-escravo.phtml) – Conexão entre a palavra “eslavo” e “escravo”.

•National Geographic Brasil: “Vikings mais suaves e gentis? Não de acordo com seus escravos” (https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/vikings-mais-suaves-e-gentis-nao-de-acordo-com-seus-escravos) – Escravidão na era Viking.

Escravidão Asiática

•BBC News Brasil: “A história dos japoneses escravizados por portugueses e vendidos…” (https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54120476) – Escravidão de japoneses por portugueses.

•Wikipédia: “Escravidão no Japão” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Escravid%C3%A3o_no_Jap%C3%A3o) – Sistema oficial de escravidão no Japão.

•Redalyc: “ESCRAVOS JAPONESES, CHINESES E COREANOS NAS REDES…” (https://www.redalyc.org/journal/770/77070146016/html/) – Escravidão de chineses e coreanos.

Escravidão Indígena

•Brasil Escola: “Escravidão indígena: contexto, causas, resistência” (https://brasilescola.uol.com.br/historiab/escravidao-indigena.htm) – Visão geral da escravidão indígena no Brasil.

•Mundo Educação: “Diferenças entre escravidão indígena e escravidão africana” (https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/escravidao-indigena-x-escravidao-africana.htm) – Comparativo entre os tipos de escravidão no Brasil.

•Politize!: “Escravidão na América Espanhola: um olhar sobre a mão-de-obra…” (https://www.politize.com.br/escravidao-na-america-espanhola/) – Escravidão indígena na América Espanhola.

•Toda Matéria: “Escravidão Indígena no Brasil Colonial” (https://www.todamateria.com.br/escravidao-indigena-no-brasil-colonial/) – Detalhes sobre a escravidão indígena no Brasil colonial.


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