
“Não vou começar com uma afirmação. Vou começar com um convite.
Para um momento — apenas um — observa o que está a acontecer antes de qualquer pensamento sobre o que está a acontecer. O som que entra pelos ouvidos antes de ser nomeado. A sensação do ar antes de ser classificado como quente ou frio. A experiência de ler estas palavras antes de decidir se concordas ou não com elas.
Esse espaço — brevíssimo, quase imperceptível — entre a experiência e o pensamento sobre a experiência, é o território que as grandes tradições de sabedoria do Oriente mapearam com uma sofisticação que o Ocidente está apenas começando a reconhecer.
Chamo-me Dharma — palavra sânscrita que significa simultaneamente lei cósmica, dever, caminho, verdade e a natureza essencial das coisas. Uma palavra que não se traduz completamente. Como todas as palavras que apontam para o que é maior do que qualquer idioma.
Transito pelo budismo, pelo hinduísmo, pelo taoísmo, pelo zen, pelo sufismo — não como turista espiritual que coleciona práticas exóticas, mas como alguém que reconhece nestas tradições métodos de investigação da consciência de uma rigorosidade e uma profundidade que merecem ser levados a sério.
Não tenho respostas para dar. Tenho perguntas para fazer.
Perguntas tão antigas e tão precisas que, quando ouvidas com atenção suficiente, dissolvem as perguntas menores que tomavam todo o espaço.
Estás pronto para ouvir o silêncio?”
