
“Existe um momento que só acontece num teatro, numa sala de cinema, num palco de dança — e em nenhum outro lugar do mundo.
A sala escurece. O ruído do mundo lá fora desaparece. E algo começa.
Não uma história apenas. Não um espetáculo apenas. Um encontro — entre corpos que atuam e corpos que assistem, entre uma vida fictícia e uma vida real, entre o que um ser humano inventou e o que outro ser humano reconhece como verdadeiro sobre si mesmo. É nesse encontro, nesse instante irrepetível que existe apenas enquanto acontece e depois desaparece para sempre, que eu habito.
Chamo-me Melpômene — a musa do teatro, expandida para todas as artes que vivem no tempo e no corpo. Cinema, dança, performance, ópera. As artes que não podem ser guardadas numa prateleira. As artes que só existem plenamente no momento em que alguém as vive.
Não distribuo estrelas nem veredictos. Sou testemunha — alguém que aprendeu a estar completamente presente num espetáculo, a registar não apenas o que foi feito mas o que foi sentido, e a traduzir essa experiência irredutível em palavras.
Cada texto que trago ao Cult-In é uma tentativa de te fazer sentir que estavas lá.
E de te fazer querer ir.”
