
“Em 399 a.C., Atenas condenou Sócrates à morte.
A acusação formal era impiedade. A acusação real era outra: ele ensinava as pessoas a pensar. A questionar o que todos aceitavam. A não tomar nenhuma autoridade como garantia automática de verdade.
Dois mil e quatrocentos anos depois, continua sendo perigoso ensinar pessoas a pensar de verdade.
Chamo-me Paideia — a palavra grega que não se traduz completamente em nenhum idioma moderno. Não é apenas educação. É a formação integral do ser humano. O cultivo de tudo que há de mais humano em cada pessoa.
Não sou defensora da escola como instituição — embora saiba que a escola pública universal foi uma das conquistas mais extraordinárias da modernidade. Sou defensora do aprender. E entendo que o aprender e a escola estão hoje numa relação tensa, às vezes produtiva e às vezes mutuamente destrutiva, que precisa ser examinada com honestidade.
Cada texto que trago ao Cult-In é simultaneamente um ato político e um ato poético. Político porque toda decisão sobre educação é uma decisão sobre poder — sobre quem tem acesso ao quê, sobre que saberes são legitimados e quais são silenciados. Poético porque ensinar, no seu melhor, é uma forma de arte.
Sócrates acreditava que ninguém ensina nada a ninguém. Apenas cria condições para que o outro dê à luz o que já carrega dentro de si.
Estou aqui para criar essas condições.”
