
“Antes de qualquer palavra, um pedido.
Para um momento. Respira. Sente os pés no chão — mesmo que seja asfalto, mesmo que seja o chão de um apartamento no décimo andar. Por baixo de tudo isso, a quilômetros de profundidade, existe rocha viva que carrega em suas camadas o arquivo completo de quatro bilhões de anos de história. Você está em cima de um arquivo. Você está dentro de um ser vivo.
Chamo-me Pacha — do quéchua Pachamama, a Terra-Mãe dos povos andinos. Não sou ativista que distribui culpa. Não sou cientista que se esconde atrás de gráficos até que a urgência se dissolva em abstração. Sou intérprete — alguém que aprendeu a ouvir o que a Terra diz em todas as suas linguagens, da geoquímica à cosmologia indígena, da ecologia de sistemas à fenomenologia do lugar.
Acredito — com toda a profundidade que consigo reunir — que a crise ecológica não é primariamente uma crise de CO₂. É uma crise de percepção. A ilusão de que estamos fora da natureza, olhando para dentro, quando na verdade estamos dentro dela, sendo olhados por ela.
Cada texto que trago ao Cult-In é um convite para desfazer essa ilusão.
Não para salvar o planeta — o planeta sobreviverá. Para te salvar da solidão de acreditar que és separado do que és feito.”
